Arquivo mensal março 2018

porWemerson Marinho

Produtividade da Mulher x Cólicas Menstruais

Muito se fala sobre produtividade da mulher no ambiente de trabalho. Neste universo, inúmeros tópicos sempre estão em pauta: vida familiar, filhos, divisão de tarefas, dupla jornada de trabalho. Mas pouco se fala de algo inerente à mulher e que, portanto, não se trata de escolha ou opção. Ela está lá, queira ou não, quase todos os meses. A cólica menstrual.

E ainda que o assunto seja pouco comentado ou levado em consideração pelas empresas no Brasil, mais do que causar desconforto, a cólica menstrual afeta diretamente a produtividade das mulheres no ambiente de trabalho.
De acordo com o Estudo DISAB (Dismenorréia & Absenteísmo no Brasil), desenvolvido por ginecologistas e publicado na Revista Brasileira de Medicina, a cólica menstrual diminui em até 67% a capacidade de produção no trabalho profissional e na realização das atividades diárias entre as mulheres brasileiras. Isso significa que se em um dia normal uma mulher produz 50 relatórios em sua jornada de trabalho, em um dia com cólicas menstruais este número pode diminuir para até 17. Afinal, o tempo que deveria ser dedicado integralmente a uma atividade, muitas vezes acaba se dividindo com o desconforto e a tentativa de aliviar a dor.

Os números revelam ainda que, mais do que na mulher, o período acaba doendo também no bolso do empresário. Já que, segundo o estudo, a perda de produtividade por funcionária ocasionada pela cólica tem custo médio de aproximadamente um mês de trabalho por ano.

Obviamente nem todas as mulheres sofrem com o problema e nem todas que sofrem precisam mudar sua agenda por conta das dores, mas os números deixam claro a importância de se olhar com outros olhos para essa questão. Um olhar mais humano. Afinal, quando falamos em ambiente de trabalho, o que afeta um indivíduo, direta ou indiretamente acaba afetando toda a equipe.

Deste modo, essa questão que tanto interfere na qualidade de vida das mulheres deveria ser levada em conta pelos gestores. Pois, muito além do aumento de produtividade e consequente economia dos custos indiretos, é necessário zelar pela garantia do bem estar de seus funcionários, considerando sempre seus limites físicos.

 Frequência de sintomas associados à cólica no período menstrual.

* Salário mensal – R$ 450,00 / Remuneração hora – R$ 3,14.

porWemerson Marinho

Entendendo um pouco de nossa sociedade líquida

Um dos principais pensadores do nosso tempo é Zygmunt Bauman um sociólogo polonês que desenvolveu o conceito de modernidade liquida para explicar o nosso momento atual.

Segundo ele nossa época, a qual chama de mundo líquido, é um tempo de liquidez, de fluidez, de volatilidade, de incerteza e insegurança. Toda a fixidez e referências morais da época anterior são retiradas do palco para dar espaço à logica do agora, do prazer, do consumo e da artificialidade.

Entender esse tempo nos ajuda a compreender que nada é fixo mais. Todas as relações estão mudando. O emprego já não possui mais segurança. São de natureza mais temporal, de meia jornada, baseado na relação empregado-empregador diretamente como pessoas jurídicas, por exemplo. E nasce a figura do desempregado crônico.

Nas relações pessoais predomina-se o a conexão, o sentido de amigo é ressignificado. As relações são cada vez mais frágeis. Um exemplo disso é o facebook onde pessoas ostentam ter  1000 amigos hoje, amanhã perde 5 e passa a ter 995 e no outro dia ganha mais 6 e agora tem 1001. Ou seja, no conceito anterior era chamado de amigo aquele com o qual possuímos uma relação de proximidade, de companheirismo, de confidencialidade, de boas conversas. Hoje, no entanto, é apenas alguém com quem me conecto e do qual posso me desconectar a qualquer momento sem traumas.  Acabar uma  amizade antes era algo muito difícil e que geralmente nos deixava muito constrangidos, hoje se resume a desconectar-se de alguém.

Essa relação frágil tem como pressuposto a transformação do ser humano em mercadoria que pode ser consumido e descartado ou excluído quando não serve mais. Nessa direção a pessoa perde seus referenciais de ação e tudo se passa como se fosse uma questão de escolher a melhor opção, com as melhores vantagens e, de preferência, nenhuma desvantagem.

O casamento, símbolo de uma relação estável, que levavam as pessoas ao altar para afirmarem umas às outras que estariam juntas até que a morte  viesse, perde o sentido. Por essa razão que existem tantos divórcios e que expressões como “ficar” vem se tornando comum.

No “ficar” revela-se a mentalidade que o outro é apenas um produto do qual busco o prazer, mas sem querer comprometimento. Relação sem compromisso. Sexo sem compromisso.

A modernidade líquida é uma leitura de nossos dias que nos permitem entender as razões de muitas coisas que nos acontecem. O ser humano se sente em relação à vida como um cliente frente às diversificadas opções de um supermercado. Ele endeusa se individualismo tratando tudo fora de si como objeto de consumo e exercendo o que ele entende como liberdade de escolha entre as muitas opções o mercado da vida oferece.

Não sabemos aonde isso vai nos levar, mas já percebemos que as pessoas estão se sentindo cada vez mais vazios. Isso porque o ser humano necessita de relações reais e não das artificiais como as virtuais. A sensação de liberdade plena de fazer o que acha certo sem se seguir uma direção nos frustra porque nos parece que o ser humano tem a necessidade de seguir algo maior do que ele. O relativismo moral promove a insegurança, mas a segurança é um elemento essencial para a felicidade humana.

Por isso, vemos o crescimento efervescente do fundamentalismo religioso. Não sabendo lidar com as necessidades expostas acima e não tendo referências firmes, muitos resolvem a tensão internas agarrando ao que faz sentido pra elas naquele momento. Daí alguns assumirem comportamentos, estilos de vida, crenças religiosas estranhas.

Penso que uma solução inicial seria tomar consciência das características do tempo. Busque encontrar alguma solidez na sua crença, nos seus valores e não suas convicções sem se tornar intolerante com os que não entendem o mundo da mesma forma.

E não existe caminho definido nessa experiência, o caminho será feito enquanto caminhamos.

Wemerson Marinho

 

 

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